Um vídeo sobre o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro propõe uma conta de transferência de votos: segundo o apresentador, Lula precisaria conquistar cerca de 62% dos votos dados a outros candidatos. O autor então distribui esses votos por grupos, considera abstenções e conclui que, sob as premissas que escolheu, estima aproximadamente 15% de chance de virada.
Essa porcentagem é a conclusão pessoal apresentada no vídeo. Sem pesquisa, modelo probabilístico reproduzível ou dados completos que sustentem as premissas, ela não deve ser lida como uma probabilidade medida.
Arte editorial original. Não representa pesquisa, apuração nem previsão eleitoral.
Quem aparece na conta do vídeo
O apresentador cita Lula e Flávio Bolsonaro como as candidaturas do segundo turno e usa percentuais hipotéticos para eleitores de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. As fotos abaixo servem apenas para identificar as pessoas mencionadas: não indicam apoio, endosso, resultado eleitoral ou comportamento comprovado de seus eleitores.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência. Redimensionada e convertida para WebP. CC BY 2.0.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado. Redimensionada e convertida para WebP. CC BY 4.0.

Foto de arquivo, 2008: Lima Andruška. Redimensionada e convertida para WebP. CC BY-SA 2.0.

Foto: Romerito Pontes. Redimensionada e convertida para WebP. CC BY 4.0.

Foto: Governo do RS/Mauricio Tonetto, 2026. Redimensionada e convertida para WebP. CC BY-SA 4.0.

Foto: Governo do Estado de São Paulo/Paulo Guereta, 2025. Redimensionada e convertida para WebP. CC BY 4.0.
Como o vídeo monta a conta
O apresentador diz que a candidatura de Lula precisaria obter aproximadamente 62% dos votos que foram para candidaturas fora do segundo turno. Em seguida, declara as seguintes hipóteses de migração:
- 50% para cada lado entre eleitores de Augusto Cury;
- 50% para cada lado entre eleitores de Renan Santos;
- 65% para Flávio e 35% para Lula entre eleitores de Ronaldo Caiado;
- 70% para Flávio e 30% para Lula entre eleitores de Romeu Zema.
O vídeo ainda menciona abstenção histórica na faixa de 20% a 21%, reduz essa referência para cerca de 20% e estima um contingente próximo de 880 mil votos como relevante para a conta. Como o trecho não mostra uma planilha completa, a base de cada percentual, o recorte de eleitores ou a origem detalhada dessas quantidades, não é possível reproduzir o resultado apenas com a fala.
Visualização editorial feita a partir dos percentuais verbalizados pelo apresentador. É um resumo da hipótese do vídeo, não uma pesquisa de intenção de voto nem uma medição real de transferência.
De onde vêm os “15%”?
Depois de aplicar as divisões que escolheu, o apresentador afirma que Flávio continuaria numericamente à frente e avalia que Lula teria “aproximadamente 15% de chance” de virar. No próprio vídeo, ele ressalva que eleição não é uma equação fechada e que um acontecimento fora da curva poderia alterar o cenário.
Essa ressalva importa: distribuir votos com percentuais assumidos produz um cenário condicional. Para transformar o número em probabilidade estatística seria necessário mostrar, entre outros elementos, dados de entrada, método, incerteza, hipóteses alternativas e validação do modelo. Sem isso, “15%” descreve a avaliação do autor sobre a própria conta — não uma estimativa oficial do TSE ou uma previsão estatística demonstrada.
Por que votos não migram automaticamente em blocos
Uma eleição de segundo turno é uma nova votação. O voto dado no primeiro turno não é transferido mecanicamente para uma das candidaturas restantes. Cada pessoa pode escolher um nome, votar em branco ou nulo, não comparecer ou mudar sua decisão até o dia da votação.
Por isso, atribuir uma porcentagem fixa a todos os eleitores de uma candidatura pode ser útil para explorar um cenário, mas não prova como aquele grupo vai se comportar. Preferências não são homogêneas e podem mudar conforme campanha, debates, alianças, acontecimentos e decisões individuais.
Como conferir os números antes de compartilhar
O vídeo abre com uma tela que mostra 4.984.116 votos (53,99%) para Flávio e 4.237.990 (46,01%) para Lula. No recorte, não fica claro se esses valores são uma parcial, um recorte territorial, uma simulação ou outro conjunto de dados. Sem horário, abrangência, cargo e fonte identificáveis, não é seguro apresentá-los como resultado nacional oficial.
Para conferir apuração, consulte o Portal de Resultados do TSE e verifique eleição, turno, cargo, abrangência e situação da totalização. Para uma pesquisa de intenção de voto, procure o instituto responsável, a data de campo, o tamanho da amostra, a margem de erro e o registro eleitoral quando exigido.
Antes de repassar uma previsão, pergunte:
- Os números vêm de resultado oficial, pesquisa ou hipótese do autor?
- Está claro a que período e grupo de pessoas eles se referem?
- As premissas de transferência estão explicadas e podem ser recalculadas?
- O conteúdo chama uma opinião de “chance” sem apresentar método probabilístico?
Em resumo
- O vídeo apresenta uma simulação pessoal de migração de votos para o segundo turno.
- Os 62%, as distribuições por candidatura e os cerca de 880 mil votos são premissas e números citados pelo apresentador; o recorte, sozinho, não permite validá-los integralmente.
- A estimativa de 15% é atribuída ao autor do vídeo e não deve ser confundida com dado do TSE ou probabilidade comprovada.
- Resultado eleitoral, pesquisa e cenário hipotético são coisas diferentes; confira fonte, data e abrangência antes de compartilhar.
Fontes e método
O conteúdo foi elaborado a partir do segundo vídeo enviado à redação. A transcrição de trabalho foi feita automaticamente e contém trechos marcados como incertos; por isso, os números e hipóteses são atribuídos ao apresentador, sem tratá-los como fatos independentes. O gráfico reproduz essas hipóteses com essa ressalva. Retratos licenciados via Wikimedia Commons foram redimensionados/convertidos para WebP; autor, origem, licença e link da fonte de cada foto estão indicados nas legendas. As páginas do TSE foram usadas para orientar a consulta às regras e aos resultados oficiais, não para validar a simulação.
TRANSPARÊNCIA
Fontes consultadas
- TSE: calendário e informações oficiais das Eleições 2026
- TSE: resultados oficiais das eleições
- TSE: sistema eleitoral majoritário e segundo turno
- Retrato de Lula — Ricardo Stuckert/Presidência, CC BY 2.0
- Retrato de Flávio Bolsonaro — Carlos Moura/Agência Senado, CC BY 4.0
- Retrato de Ronaldo Caiado — Governo do RS/Mauricio Tonetto, CC BY-SA 4.0
- Retrato de Romeu Zema — Governo do Estado de São Paulo/Paulo Guereta, CC BY 4.0
- Retrato de Augusto Cury — Lima Andruška, CC BY-SA 2.0
- Retrato de Renan Santos — Romerito Pontes, CC BY 4.0
Links e disponibilidade conferidos na data de atualização deste artigo.
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